A realidade aumentada no sucesso de Pokémon Go

 

O jogo de realidade aumentada já fazia sucesso antes mesmo de chegar ao Brasil e tem feito mais do que entreter e proporcionar a perda de algumas calorias aos “treinadores de Pokémon” que andam caminhando quilômetros, ávidos por capturá-los. A transformação social proporcionada é de linguagem, sobre a forma como as pessoas se relacionam e produzem tecnologia.
O jogo que permite, através da câmera de smartphones – com sistema Android ou IOS -, que se veja e capture os monstrinhos virtuais em diversos espaços reais da cidade (realidade aumentada) gerou um encantamento coletivo tamanho que já é por muitos denominado vício. Tudo isso é possível por conta de um geolocalizador que usa o GPS do aparelho como referência e assim exibe e permite certa interação com os personagens – é possível também, além de capturar, batalhar com outros pokémons, mas ainda não entre treinadores.
Outros jogos utilizando realidade aumentada já surgiram também antes de Pokémon Go – tais como Ingress, Invizimals, EyePet e Nintendo 3DS – mas talvez a grande jogada da Niantic – desenvolvedora do jogo – e Nintendo – detentora de direitos da marca – tenha sido a junção da tecnologia com uma história e personagens já bem sucedidos e que instigam o encanto a partir de estratégias de “evolução” das criaturas. Na contramão do que muitos pensam Pokémon Go tem sido ainda um jogo de relacionamento social, já que em muitos momentos diálogos e amizades surgem quando as pessoas se encontram por acaso nas ruas com o mesmo objetivo.

Assim como a realidade virtual que já demonstrou imensa empatia com público consumidor e corporativo em suas diversas aplicabilidades, a realidade aumentada vem tomando cada dia mais espaço e se tornando uma tecnologia extremamente útil na otimização de processos, sejam eles de entreterimento (em games e vídeos interativos em geral), na operação de máquinas (do setor aéreo, de engenharia, logística), na demonstração de produtos (simulação de imagens ou dicas de lojas, de futuros móveis em ambientes vazios) ou até mesmo na medicina (demonstrando localização precisa de doenças não vistas a olho nu), e quem sabe em quantas outras mais situações.
Há quatro maneiras diferentes de se aplicar realidade aumentada atualmente – através da inserção de elementos virtuais sobre vídeo real (como no Pokémon Go); através de óculos de realidade virtual com câmera acoplada para sobrepor imagens construídas sobre as reais; através de óculos com lentes que misturam imagens virtuais ao ambiente (como Google Glass); e ainda através do vídeo mapping que sobrepõe imagens em objetos fixos.
Mais do que uma alternativa fantástica de se sentir num mundo completamente diferente – ou de trazer um novo mundo pra dentro do mundo real – Pokémon Go democratizou a compreensão do uso da realidade aumentada no mundo e se tornou premissa de uma nova forma de entender e interagir com o mundo digital, de idealizar potenciais para essa e outras tecnologias.

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